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Culfilmes / Pequenas cartas obscenas (Prime)

Pequenas cartas obscenas (Prime)

Pequenas cartas obscenas: inveja

A etimologia da palavra inveja, formada pelos étimos latinos in (dentro) e vedere (olhar), indica o quanto este sentimento alude a um olhar mau que entra dentro do outro. Implica uma relação...

13 de novembro de 2024 2 min de leitura
Capa da análise Pequenas cartas obscenas, sobre inveja

inveja

A etimologia da palavra inveja, formada pelos étimos latinos in (dentro) e vedere (olhar), indica o quanto este sentimento alude a um olhar mau que entra dentro do outro.
Implica uma relação de objeto com uma- única outra pessoa-, e sempre remonta a uma relação diádica e exclusiva com a mãe, a quem o sujeito invejoso quis incorporar e ter a qualquer preço.
A origem do sentimento de inveja pode ser compreendida a partir de três perspectivas de concepção: instintiva, frustracionista, narcisista.
Algumas características da pessoa invejosa:
A inveja sempre se dirige a algo ( pode ser um atributo físico, psíquico ou um bem material) que pertence a outra pessoa. É significado como um fetiche altamente valorizado, e sua falta é sentida como extremamente dolorosa. Em seu registro imaginário, este algo é cobiçado e sentido como sendo especial e único e, portanto, não pode ser compartilhado com mais ninguém. Por essa razão, o sujeito invejoso não se satisfaz em vir a possuir algo análogo ou igual ao outro, que ele inveja. Se ele contentasse com isso, a sua aspiração não seria mais do que um legítimo desejo, ou até expressão de admiração que poderia servir como uma saudável fonte de emulação.
Uma característica inevitável em toda pessoa invejosa é o de um permanente jogo de comparação. Em que há uma única possibilidade: ou ele é o vencedor ou é o perdedor. Diante da hipótese de vir a ser humilhado como perdedor, é comum que ele evite fazer comparações pelo recurso de não se arriscar a por em prova as suas legítimas capacidades e, dessa forma, acaba fechando as portas de muitas oportunidades que a vida lhe propicia.
Ilustração: conto do folclore popular.
Uma fada (ou bruxa) propõe ao indivíduo invejoso o privilégio de fazer qualquer pedido que ela lhe atenderia, com a condição de que um seu amigo (por ele invejado) ganhasse em dobro a mesma coisa. Pois bem, como é fácil adivinhar, o pedido que partiu do sujeito invejoso foi: quero ficar cego de um olho.