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O Último Gigante (Netflix)

O Último Gigante: sacrifício

Uma leitura poética sobre Itaipu, Sete Quedas e a lenda de Naipi e Tarobá, marcada pelo tema do sacrifício.

19 de abril de 2026 2 min de leitura
Capa da análise O Último Gigante, sobre sacrifício

Sacrifício

"Itaipu", na língua tupi-guarani, quer dizer "a pedra que canta". Era o nome da ilha de rocha adormecida no Rio Paraná, onde as águas corriam e entoavam sua canção ancestral antes que a barragem silenciasse seu canto.

Mas há quem a chame também de "a pedra que chora". Chora pelos rios desviados, pelas terras desapropriadas, pela identidade sociocultural que se dissolveu junto com as Sete Quedas, submersas para sempre sob o peso do progresso.

Reza a lenda das Cataratas do Iguaçu que o amor proibido entre Naipi e Tarobá desafiou até os deuses. Naipi, a mais bela das índias, estava prometida a M'Boi, o deus-serpente dos Caingangues. Mas seu coração pertencia ao jovem guerreiro Tarobá.

No dia da consagração, escolheram a fuga à submissão. Desceram o Iguaçu numa frágil canoa, crendo que o rio os levaria para longe. Enfurecido pelo desprezo, M'Boi cravou sua fúria no leito das águas. Rachou a terra, rasgou o rio e fez nascer o abismo das cataratas, tragando os amantes.

Naipi tornou-se rocha, condenada a receber o beijo eterno das águas que caem. Tarobá virou palmeira, debruçada sobre a Garganta do Diabo, sentinela solitária que contempla sua amada sem nunca tocá-la.

Dizem que, em dias de sol, o arco-íris nasce entre eles. É a ponte impossível, tecida de luz, onde o amor dos dois ainda ousa se encontrar.

E lá no fundo, M'Boi vigia. A Garganta do Diabo é seu trono, de onde guarda, ciumento, o amor que não pôde possuir.