O Senhor das Moscas (Prime)
O Senhor das Moscas: dinâmica grupal
Uma reflexão sobre Wilfred Bion, grupo de trabalho, pressupostos básicos e as reações do grupo diante de novas ideias.
Dinâmica grupal
Segundo Wilfred Bion, a dinâmica do campo grupal movimenta-se em dois planos: o "grupo de trabalho", que opera no plano consciente e está voltado para a execução de alguma tarefa. E, subjacente a esse, existe um grupo operando de forma inconsciente, são denominados "grupo de pressupostos básicos", e suas manifestações correspondem a um primitivo atavismo das pulsões e de fantasias inconscientes.
Atavismo é o reaparecimento de características genéticas de ancestrais distantes.
Bion formulou três tipos de supostos básicos: Dependência, que exige um líder carismático que inspire a promessa de promover as necessidades existenciais básicas dos indivíduos e do grupo; Luta e fuga, de natureza paranoide, que requer uma liderança de natureza tirânica para enfrentar o suposto inimigo ameaçador; e Acasalamento, que alude à formação de pares no grupo, que podem se acasalar e gerar um Messias salvador, e exige um líder que tenha algumas características místicas.
Assim, o grupo precede o indivíduo, isto é, as origens da formação espontânea de grupos têm suas raízes no grupo primordial, tipo a horda selvagem, tal como Freud descreveu. Os supostos básicos representam um atavismo dos grupos primitivos, incluídos os do reino animal (dependência durante certo tempo, luta e fuga contra os predadores, acasalamento para a sobrevivência da espécie), que, no curso de séculos, acabam inseridos na mentalidade e na cultura grupal.
O indivíduo portador de novas ideias (místico ou gênio) é sentido como uma ameaça, por ser portador de ideias novas, despertando reações como:
- Vetar sua entrada.
- Expulsar.
- Transformá-lo em "bode expiatório", imputando-lhe mazelas da instituição.
- Ignorar sua presença.
- Desqualificar as suas ideias e atividades.