Foi apenas um sonho (Netflix)
Foi apenas um sonho: ego ideal e ideal do ego
Uma leitura sobre ego, ego ideal e ideal do ego a partir da concepção estrutural do aparelho psíquico em Freud.
Ego ideal / ideal do ego
Freud, na sua concepção de aparelho psíquico, criou um modelo intitulado estrutural (ou dinâmico), tendo em vista que a palavra "estrutura" significa um conjunto de elementos que, separadamente, têm funções específicas, porém que são indissociáveis entre si, interagem permanentemente e influenciam-se reciprocamente (o ego e o id - 1923).
Funções do ego
- Relacionar-se adaptativamente com a realidade do mundo exterior (percepção, pensamento, discriminação, juízo crítico e ação motora).
- Produção de angústias, mecanismos de defesa, fenômenos de identificações e formação de símbolos (essas inconscientes).
- Representações que determinam a imagem que o sujeito tem de si mesmo e estruturam o seu sentimento de identidade e autoestima.
O ego funciona como uma instância mediadora, integradora e harmonizadora entre as pulsões do id, as exigências e ameaças do superego e as demandas da realidade.
Ego ideal
Herdeiro do narcisismo primitivo. Funciona no plano imaginário, alicerçado na fantasia onipotente, ilusória, própria da indiscriminação com o outro. O sujeito portador de um ego ideal predominante no seu psiquismo está sempre à espera do máximo de si mesmo, além de nutrir ideias virtualmente nunca alcançáveis. O ego ideal costuma estar muito distante do ego real; porém, para manter a ilusão, o sujeito deve utilizar fortes recursos defensivos de "negação".
Ideal do ego
Herdeiro do ego ideal, projetado nos pais, somado às aspirações e expectativas próprias destes últimos. Dentro do sujeito, o ideal do ego é conjugado num tempo futuro e condicional: "eu deverei ser assim, senão..." A permanência em grau exagerado levará o sujeito a construir um "falso self" para corresponder às expectativas dos outros, ou a quadros fóbicos e narcisistas. O sentimento predominante é de vergonha de eventuais fracassos.