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Culfilmes / A extraordinária vida de Ibelin (Netflix)

A extraordinária vida de Ibelin (Netflix)

A extraordinária vida de Ibelin: espelho, espelho meu

O espelho é tão antigo como a história da humanidade. Muito antes de adquirir a forma científica de um vidro com a parte posterior recoberta por uma amálgama é bem antes do...

12 de outubro de 2025 2 min de leitura
Capa da análise A extraordinária vida de Ibelin, sobre espelho, espelho meu

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O espelho é tão antigo como a história da humanidade. Muito antes de adquirir a forma científica de um vidro com a parte posterior recoberta por uma amálgama é bem antes do atual espelho virtual. Os primitivos miravam-se no espelho das cristalinas águas paradas e construíram suas crendices diante do misterioso fenômeno da reflexão.
Mitologia: Narciso perdeu-se no olhar especular, deslumbrado de si próprio.
Édipo, cegou-se como castigo pelo crime edipico.
Folclore: os índios recusavam o espelho, pois creem que a imagem refletida é a sua própria alma e que a perderão se olharem.
Crendices: crianças que se olham no espelho custa a falar.
Há uma primitiva conexão de significados entre a imagem refletida no espelho e a própria sombra. A sombra do corpo é parte integrante do mesmo e suscetível de ser portadora de todas as suas virtudes, poderes e perigos. Os mortos perdem a sombra concreta e transformam-se, elas próprias em sombras que podem assustar os vivos, são as assombrações.
Literatura: Lewis Carrol, em Alice, tratou do tema de como o espelho pode representar a porta pela qual a alma pode dissociar-se é passar para o outro lado.
Oscar Wilde, Dorian Gray, mostra o quanto a imagem interior pode ficar dissociada e refletida em um retrato exterior, da mesma forma como num espelho de vidro ou num espelho virtual, num duplo(alter ego) em uma busca mágica de imutilidade e imortalidade.
Artes cênicas: Dom Quixote, quando o pseudo-heroi aparece aterrorizado ante a obrigação de ter que se mirar na imensidão de espelhos que o cercavam é ameaçavam de devolver-lhe a sua imagem real.
Religião: Padre Vieira:... descobriu a sabedoria de Salomao, dois espelhos recíprocos que podemos chamar de tempo. Em que se vê facilmente o que foi e o que há de ser. Que é que foi? Aquilo mesmo que há de ser. Que é o que há de ser? Aquilo mesmo que foi... Olha para o passado e para o futuro e vereis o presente.
Enfim. A função do espelho é indissociável da função do olhar e suas vicissitudes.

David E. Zimerman
Fundamentos psicanalíticos