A avaliação (Prime)
A avaliação: estupidez
Para saber lidar com a estupidez, é preciso antes procurar entender sua natureza. Não se trata de um defeito intelectual, mas algo que atinge a humanidade do sujeito. Tanto é assim que...
estupidez
Para saber lidar com a estupidez, é preciso antes procurar entender sua natureza. Não se trata de um defeito intelectual, mas algo que atinge a humanidade do sujeito. Tanto é assim que existem pessoas de inteligência extraordinária, que são estúpidas.
A estupidez é um processo em que pessoas se tornam estúpidas sob certas circunstâncias. Geralmente, pessoas propensas a viver em grupos. Assim, parece que a estupidez é um problema mais sociológico do que psicológico. É uma forma especial de influência das circunstâncias externas. Em uma análise mais detalhada, verifica-se que toda forte expansão externa de poder, seja político ou religioso, golpeia um grande número de pessoas com estupidez. O poder de alguém precisa da estupidez de outrem.
O processo não é que, de repente, algumas faculdades- como a intelectual- definhem ou fracassem, mas sim que a independência interna vai sendo roubada pela impressão esmagadora do desenvolvimento do poder, até que essa pessoa renuncia a encontrar seu próprio comportamento em relação às situações que a vida lhe apresenta.
O fato de o estúpido ser muitas vezes teimoso não significa que ele seja independente. Conversando com ele, você quase pode sentir que seu discurso nem sequer tem a ver com ele mesmo, com aquilo que o constitui. Trata-se de frases de efeito, slogans e chavões que se apoderaram dele. Ele está enfeitiçado, cego, abusado e maltratado em sua própria natureza. Torna-se assim um instrumento sem vontade própria, o estúpido será capaz de todo o mal e, ao mesmo tempo, incapaz de reconhecer-se mal ou de reconhecer maldade em seus atos.
Dietrich Bonhoeffer (1943)